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Toxina Botulínica

A toxina é produzida pelo Clostridium botulinum, responsável pela paralisia muscular associada à intoxicação alimentar. Foi usada pela 1ª vez na década de 1970, no tratamento do estrabismo. A paralisia dos músculos extra-oculares específicos pode melhorar o alinhamento ocular desses pacientes.
Tipos de toxinas: as diversas cepas do C. botulinum produzem 7 toxinas antigênicas diferentes.
Tipo A: mais potente e tipo usado mais comumente.
Tipo B: menos potente; útil para os pacientes que desenvolvem anticorpos contra o tipo A.

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Toxinas disponíveis no comércio

Botox®: tipo A, produzida pela Allergan, Inc., Irvine, Califórnia. Aprovada pela FDA para tratar rugas glabelares em 2002.
Dysport®: tipo A, produzida pela Ipsen Limited, Maidenhead, Berkshire, Reino Unido.
Myobloc/Neurobloc®: tipo B, produzida pela Elan Phamaceuticals, San Francisco, Califórnia.

Mecanismo de ação

A toxina botulínica atua na placa das terminações neuromusculares colinérgicas pré-sinápticas inibindo a liberação das vesículas de acetilcolina nas terminações pré-sinápticas. As toxinas têm diferentes sítios de ação no receptor conhecido como proteína de ligação do fator sensível à N-etilmaleimida solúvel (SNARE), proteína responsável pelo acoplamento da membrana e pela fusão das vesículas sinápticas que liberam acetilcolina. A recuperação funcional ocorre em 3-4 meses, depois que as germinações dos axônios novos substituem as placas terminais bloqueadas.

Preparação das toxinas

A toxicidade é quantificada em unidades. Uma unidade (1U) equivale à quantidade de toxina que mata 50% dos camundongos femininos do tipo Swiss-Webster depois da injeção intraperitoneal.
Unidades relativas: 1U Botox® = 3 a 5U Dysport = 50-100U Myobloc. A dose letal do Botox® nos seres humanos é de 2.500-3.000 U para uma pessoa de 70 kg.
Aplicações clínicas: as rugas ou vincos são produzidos pela hiperatividade dos músculos subjacentes. Com o envelhecimento, os sulcos ou as rugas surgem perpendicularmente às fibras musculares responsáveis. A paresia química criada pela toxina botulínica elimina a contração muscular e assim reduz as rugas e depressões dinâmicas.

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Terço superior da face

Os sulcos glabelares são produzidos pelas contrações dos músculos prócero, corrugador do supercílio e das fibras mediais do orbicular do olho. Em geral, 5-7 pontos são injetados na glabela/supercílio medial (2,5-4 U por injeção), totalizando 20-25 unidades de Botox®. A desnervação química pode estender-se por até 6 meses. Ptose transitória é a complicação mais significativa e pode ocorrer em até 5% dos pacientes. Uma elevação "química" do supercílio pode ocorrer pela ação livre do músculo frontal, em decorrência da paralisia dos depressores do supercílio.

Linhas frontais horizontais

O músculo frontal é responsável pelas linhas frontais horizontais. Em geral, 4-8 pontos são injetados na fronte, cerca de 2-3 cm acima das rimas orbitais. O paciente pode ter ptose superciliar se o músculo frontal for injetado em excesso. Além disso, a injeção lateral à linha mesopupilar pode causar ptose do supercílio lateral ou da pálpebra (ou de ambos) e produzir um aspecto de cansaço.

"Pés-de-galinha" perioculares

Os pés-de-galinha são causados pela contração dos músculos orbicular do olho, risório e zigomáticos. O músculo orbicular lateral é injetado em 1-4 pontos, totalizando 5-15 U de Botox®.
Evitar injetar muito profundamente para prevenir paralisia dos músculos extra-oculares.

Terço intermediário da face

As rugas verticais dos lábios são causadas pela contração do músculo orbicular da boca. A injeção de 1-2 U de Botox® em cada ruga pode atenuar as rugas periorais. Limitar a aplicação a 2U de Botox® de cada lado. Tratar apenas 2-3 rugas de cada vez.

Linhas de marionete

As rugas do franzimento das sobrancelhas melhoram com a injeção nos músculos depressores dos ângulos da boca. As injeções no platisma também são úteis. A aplicação excessiva pode causar dificuldade para rir. A injeção nessas áreas não é recomendada especificamente para cantores e músicos.

Rugas mentuais: a contração excessiva do músculo mentual pode causar um queixo "seixoso ou em pedras arredondadas", que melhora com a aplicação de Botox®.

Pregas nasolabiais

A injeção para paralisar o músculo zigomático maior não tem conseguido resultados consistentes. A injeção do músculo elevador das asas do nariz pode suavizar a prega nasolabial medial.

Efeitos adversos

Não existem relatos de reações alérgicas aos procedimentos estéticos faciais com Botox®. As equimoses transitórias podem ser atenuadas com a utilização de uma agulha calibre 30 e aplicação de pressão depois das injeções.

Contra-indicações

Não existem relatos de teratogenicidade associada à toxina botulínica. A maioria dos médicos não injeta em gestantes ou mulheres que estejam amamentando. História de doença neuromuscular é uma contra-indicação. Sensibilidade conhecida à albumina humana é uma contra-indicação. Os aminoglicosídeos podem potencializar os efeitos do Botox®. As áreas com infecção em atividade não devem ser injetadas.

 

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